O termo “cooltura” foi lançado em tom provocatório por Luís Rasquilha no primeiro evento sobre “Novas Tendências da Cultura”, promovido pela Agência Inova em parceria com o Museu do Fado, no passado dia 2 de Julho.
Segundo este gestor de comunicação, professor “por caso” e estudioso dos comportamentos do público e tendências a nível mundial, em particular na área da cultura, esta tem de passar a ser “cool”, isto é, “atractiva, inspiradora e com capacidade de crescimento”. Partindo da premissa de que a coolturalização é uma tendência mundial que concorre lado a lado com outras tão mais visíveis como as alterações climáticas, Luís Rasquilha partilhou algumas ideias com a audiência, constituída, na maior parte, por gestores culturais, das quais realço algumas:
- a de que o produto cultural tem de passar a ser trabalhado como uma marca (estudos indicam que esta psa 70% na escolha dos consumidores);
- a de que a comunicação cultural tem de deixar de ser somente informativa, mas “atractiva e inspiradora”, ou seja, centrada no benefício, conseguindo responder à questão básica do consumidor “o que ganho eu com isto”?
- a de que a cultural deve ser paga, para lhe ser atribuída valor;
- a de que os gestores culturais têm de ter estratégias de comunicação que extravasem a publicidade tradicional.
Luís Rasquilha exemplificou alguns destes pontos com campanhas culturais desenvolvidas recentemente no âmbito das “branded arts” e desta noção alargada de cultura, inserida, lá está, no contexto das indústrias culturais e criativas, que tenho vindo a defender: casos da campanha do filme “Blood Diamond”, integrando “intelligent graffit”, da instalação “Rio de Janeiro Favela Art” ou da campanha “Ipod MyBaby”.
A estes pontos, acrescento outras provocações pessoais, as quais tive oportunidade de partilhar na altura:
- são os próprios gestores culturais portugueses que têm de dar o passo para a “cooltura” (em boa verdade, a visão de cultura elitista, que vale só por ser “cultura”, é alimentada quer por alguns artistas quer pelos próprios promotores);
- é necessário disseminar a ideia de que um produto cultural tem de ser tratado como uma marca, objecto de estratégias de marketing e de campanhas inovadoras, e que tem de ultrapassar definitivamente o crivo adorniano da “indústria cultural”.
- é essencial ter em conta que a criatividade não é somente um impulso artístico, mas uma ideia inovadora, que tem (e esse é o elemento diferenciador) uma funcionalidade;
- a cultura também necessita de logística (este último ponto surge na sequência da celebração do aniversário de um conceituado espaço cultural há uns dias que optou por “oferecer” bens e serviços culturais aos seus públicos, sem se preocupar com as mínimas questões logísticas, nem mesmo pequenos caixotes de lixo para colocar os copos de cerveja que se iam amontoando no chão… A ecologia também é uma tendência cultural).
Fotografia: “Rio de Janeiro Favela Art”.
A 3.ª edição do FISP – Festival Internacional de Saxofone de Palmela inclui mais de 30 concertos e espectáculos, seminários, conferências, o 3.º Concurso Internacional de Saxofone “Vítor Santos” e o 1.º Concurso de Composição para Saxofone “FISP”. Além disso, o festival vai tentar entrar no World Guiness Records com a Maior Orquestra de Saxofones do Mundo.
“Estudos sobre os Jornalistas Portugueses – Metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI”, organizado por José Luís Garcia (também co-autor), é apresentado hoje, 7 de Julho, às 18h30, na livraria Fnac do Colombo.
Claude Simon
Após uma série de imprevistos que me deixaram na impossibilidade de actualizar o Culturascópio, regresso à conversa consigo, leitor, que já considero um amigo. A partilha da escrita tem de ser cada vez mais um acto de amizade, de grande valor, numa altura em que as palavras parecem ser mais efémeras do que nunca.
O dramaturgo americano Tracy Letts é o autor da peça “Agosto em Osage”, obra que aborda de uma forma terrífico-realista o tema da família disfuncional e lhe valeu o Prémio Pulitzer em 2008 na categoria de drama. Encenada por Fernanda Lapa, a peça (co-produzida pela
O MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa vai ter na sua 3.ª edição uma grande novidade: trata-se do prémio para a Melhor Curta de Terror Portuguesa, no valor de 1.500 euros. As inscrições estão abertas até 15 de Julho. O regulamento pode ser consultado em
Nos anos 50 e 60, surge em Inglaterra um projecto que procura estudar as práticas culturais quotidianas, no contexto do protagonismo dos media. Nascido no Center of Contemporary Cultural Studies (CCCS) em Birmingham, é conhecido actualmente por Cultural Studies ou Estudos Culturais. Em parte, os Cultural Studies surgem, precisamente, como resposta intelectual às mudanças preconizadas por Walter Benjamim, em 1930, e por Adorno e Horkheimer, nos anos 40 do século XX: ao impacto da televisão, dos jornais, das revistas e da publicidade, e ao advento das subculturas e das novas formas de cultura popular, que começaram a ter protagonismo enquanto mediada pelos meios de comunicação de massa e novas tecnologias. É neste período que é abandonada a “Cultura” para se afirmarem várias culturas e práticas culturais.